Por Jon Herskovitz e James Grubel
JOHANESBURGO/CANBERRA, 2 Abr (Reuters) - Rivais nos campos de rúgbi, de
críquete e no setor de mineração, a África do Sul e a Austrália agora
protagonizam uma nova disputa: ambos querem ter o direito de abrigar o
telescópio mais potente do mundo.
Os dois países são finalistas de uma concorrência para ter em seu território
o equipamento, conhecido como SKA (Square Kilometre Array), que será 50 vezes
mais sensível e 10 mil vezes mais rápido do que qualquer outro telescópio do
planeta, de acordo com o consórcio internacional que financia o projeto de 2
bilhões de euros (2,66 bilhões de dólares).
A briga ficou séria. A África do Sul acusa a Austrália de jogar sujo e os
australianos questionaram a segurança de se desenvolver um projeto tão caro na
África do Sul, um país com altas taxas de crimes violentos.
A África do Sul acusou a Austrália inclusive de vazar dados sobre o que
deveriam ser deliberações secretas a fim de dar força à sua candidatura.
Reportagens na mídia australiana sugerem que a África do Sul deverá se sair
vencedora menos por razões científicas e mais pelo impacto econômico que o
projeto terá para as economias emergentes africanas.
"Embora alegue respeitar a integridade do processo de seleção, essa não é uma
tentativa muito sutil de enfraquecer o rigor científico e técnico do processo de
julgamento do local, ao sugerir que a relatada superioridade da candidatura da
África do Sul nada mais é do que uma 'decisão por compaixão'", disse o
Ministério das Ciências sul-africano na semana passada.
O jornal Sydney Morning Herald relatou no mês passado que um painel de
especialistas recomendou que a África do Sul fosse a anfitriã do telescópio e
que a Austrália -em uma candidatura conjunta com a Nova Zelândia- não conseguiu
convencer o painel.
"Acho que temos uma posição superior e vamos continuar argumentando e
pressionando até que a decisão seja tomada e esperamos que ainda possamos vencer
a seleção", disse o senador australiano Chris Evans na semana passada em uma
entrevista coletiva.
Autoridades da África do Sul afirmaram que o país tem know-how científico e
capacidade técnica para sediar o projeto, que se estenderia a outros países
africanos.
(publicado por Marcos Pablo) MARCÃO